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segunda-feira, 26 de agosto de 2019

No domingo de agosto um intervalo de fé no grande povo brasileiro!


Fui na excursão da dona Zizi, vizinha de bairro, Vila Isabel, que ontem completou 47 anos ininterruptos  peregrinando uma vez por ano à Aparecida no norte de São Paulo, levando grupos.  

Viajei com minha cunhada Alcina Maria, verdadeira irmã já que dei trabalho pois até precisou me empurrar na cadeira de rodas durante a visita ao Museu de cera. Além das dores de coluna,  tive crise de tosse, ando atacada de alergia respiratória mas tudo foi compensado pela fé.  A imensa fé que vejo no povo brasileiro .  A cidade cresceu muito. Lembro que a primeira vez que fui, nos anos 60, com meus padrinhos Iveta e Juquita, só existia a pequena basílica nos tempos de 1700. 

Devoção desde o Império. Mil histórias. Relatos de muitos milagres. Milhões de peregrinos. Pátios imensos coalhados de grandes ônibus , peregrinos a cavalo, gente de todos os cantos do país. 

Que país é este? Perguntou Cazuza. Pergunto eu. Tem um povo de fé.  Terrivelmente crente na magia da superação.  Gente humilde como cantou Chico. Também sou caipira Pirapora, nem vi ontem um só instante de dúvida no rosto daquelas criaturas. Havia prece. Agradecimento. Esperança.  Igualdade de dignidade na sobrevivência.  Brasil mostra muitas caras além de Brasília ou da Amazônia.  

Brasil é um lugar de muita gente do bem. Não vi ninguém armado. Aliás,  a arma mais poderosa ali era a oração.  A coisa se repete há mais de 300 anos. O povo é honesto. Muitas religiões se calcam neste preceito.  Sim. Sobram espaços para espertalhões e recalcados. Mas o melhor é o imenso lugar a ser ocupado por gente que vai em frente contando com sua fé no amanhã de uma nação ainda tão manipulada por excusos interesses de poderes internos e externos.

Foi um domingo de felicidade naquela cidade às margens do rio Paraíba do Sul, origem histórica da imagenzinha da Senhora Aparecida. Origem do meu nome, a fé dos meus pais. Lugar de encontro de um povão simples. Um povão que merece ser melhor tratado, respeitado e reverenciado. Mas que dá lição de perseverança na conquista da sua sobrevivência,  como Dona Zizi, que faz sorteio de brindes na viagem de volta.  Uma delicadeza no meio de orações e agradecimentos. Meu pai chamava a Santa de Minha Padroeira. 

Ontem, estive lá mais uma vez, com fé e força crendo em dias melhores para nossa gente tão humilde porém tão sábia na busca de dar voltas por cima dos dramas sociais cuja história todos sabemos.  Como diria o escritor baiano João Ubaldo, "viva o povo brasileiro"! 

Eu acrescento,Sim Viva!  Na sua fé sincretizada e na sua tremenda esperança,  terrivelmente histórica ou católica ou respeitosa de tantas imigrações que nos formaram para a vida ! Viva os povos indígenas que merecem nossa reverência maior. Eram os donos da Terra quando os colonizadores chegaram. Viva o povo afrodescendente que veio ser escravo e nos engrandeceu a cultura. 

Viva quem reconhece que nosso povão é prova do quanto somos guerreiros na luta diária.  Viva cada devoção desse povo que, em sua maioria, é mesmo gente boa e de muita fé. 

Cida Torneros 




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