quinta-feira, 4 de junho de 2020

Ermelinda Rita deixa a rádio Globo depois de 34 anos


Ermelinda Rita Deixa a Rádio Globo e ganha homenagem emocionante de colega de profissão

Ermelinda Rita. Foto: Arquivo Pessoal.
Ermelinda
Rita. Foto: Arquivo Pessoal.
 Ela foi minha aluna na faculdade.  Ficamos amigas. Está foto é em Ouro Preto.  Ermê é nota 10. Cida Torneros 

Na tarde de junho de uma era chamada de “novo normal”, cinzenta pelas nuvens, cinzenta pelo “galope” do Coronavírus, chega a notícia do desquite entre a outrora poderosa Rádio Globo e um de seus maiores símbolos em todos os tempos, Ermelinda Rita.
Ainda que precarizado e desaparecendo no cenário, o nome Rádio Globo permanece ecoando na memória afetiva da população, especialmente do Rio de Janeiro. É como se todos nós tivéssemos um dispositivo em nossas mentes que sempre é disparado, tal qual uma sonora vinheta, quando surge o assunto 
Neste momento, como num processo de erupção, começam a aflorar nomes em nossas lembranças como Haroldo de Andrade, Waldyr Vieira, Paulo Giovanni, Luís de França, Waldir Amaral, Jorge Curi, João Saldanha, Edmo Zafife, José Carlos Araújo e… Ermelinda Rita! Sim, ela está no panteon dos grandes dessa emissora. Não há um cidadão no Rio de Janeiro, mesmo não sendo assíduo ouvinte do rádio, que já não tenha ouvido pelo menos uma vez na vida este antropônimo.
Ermelinda atingiu a idolatria pela simplicidade. Simples no hábito de vida, simples na forma de apurar notícias, simples na maneira de se comportar ao microfone. Como dizia Leonardo da Vinci: “a simplicidade é o último grau de sofisticação”.
Realmente, o difícil é ser simples. Ermelinda é a legítima personificação desse princípio davinciano. A sua simplicidade volumosa cativou uma legião de seguidores, uma verdadeira massa que passou a ter neste personagem uma espécie de companhia permanente, guardiã da lealdade e da cidadania através de suas reportagens, permanentemente presente no nosso dia-a-dia.
Robson Aldir. Foto: Leandro Milton
Robson Aldir. Foto: Leandro Milton
Como um ser que não cabe em si, ela foi ainda mais longe. Além da projeção pública, de contornos inalcançáveis, Ermelinda cativou também o público interno.
Uma grande quantidade de jornalistas, trabalhadores que lutam incansavelmente pela elevação cidadã, pela democracia e pelo justo, colocando em risco suas próprias integridades físicas, sem direito a biografias, nem ao menos salários justos, têm em Ermelinda Rita a referência. Cada um de nós, jornalistas, temos um traço dela em nossos desempenhos, aquela que sempre foi rigorosa com a apuração cirúrgica e com a velocidade da informação precisa.
A saída de Ermelinda Rita da Rádio Globo representa mais uma página virada na história da imprensa brasileira, capítulo recheado de linhas de ouro que representam o testemunho da forma de vida do carioca nas últimas 3 décadas. Ermelinda seguirá escrevendo a narrativa da cidade por outros “livros”, outras mídias.
Mas, sem dúvidas, o rádio, aquele velho companheiro de sempre de um Brasil que não existe mais, vive outro momento difícil com este recente divórcio.
A vida tem que seguir, e vai seguir! Mas não há como deixar de expressar em brados os sentimentos que nos tomam conta nesta hora: Saúdo Ermelinda Rita, saúdo o jornalismo brasileiro.









    Caballo viejo


    Comportamento Geral


    Bob Fernandes


    Crioulo


    Asa Branca


    Ai que saudades de océ


    quarta-feira, 3 de junho de 2020

    Filhos e netos emprestados!

    segunda-feira, 31 de maio de 2010

    Filhos e netos emprestados...


    Filhos e netos emprestados...

    Deus me livre de esquecer como é ser criança! É coisa que incluo nas minhas solitárias e diárias orações. Porque a energia infantil é soberana, no universo humano, não tem coisa que se compare a ela. Nem sexo de adultos, que me desculpem os adoradores da prática.

    Tudo bem que relaxe, atualizando amor e paixão, que revigore ou que dê boa saúde, segundo recomendação do Ministro do setor; mas uma risada que a nossa “criança” interna pode abrir, junto a outras crianças “reais” é como a liga do céu com a terra. Um aderente sonho de leveza espiritual, incomparável elo entre o mundo passageiro e a vida eterna.

    É claro que nas horas do encontro amoroso, flui em cada um de nós uma criança que brinca de viver e fazer viver. Isso é evidente. Entretanto, refiro-me àquele prazer inocente de descobrir as cores da asa de uma borboleta ou de imaginar que uma borrachinha possa representar um carro esporte. Fazê-lo vencer uma corrida no sofá da sala que vira autódromo, com direito a comemorações, torcidas, gritos e urros de felicidade verdadeira, pura expressão da alegria de estar no mundo, de perceber mil coisas ao mesmo tempo.

    Ao longo da vida, tenho tido chance de “pegar” filhos e netos emprestados, primos e primas que foram nascendo, aumentando a família, sobrinhos que me encantam porque cresceram e hoje seguem a tia, na profissão, mas todos continuam a ser bebês que chegaram para completar ciclos, proporcionar festinhas de aniversário, com direito a muito docinho “brigadeiro” e animação.

    Até hoje, como esquecer suas carinhas e vozes, corridinhas, falas e folguedos, em tantas ocasiões? Com certeza, os chorinhos e manhas também entraram para minha lista de recordações. Fazem parte do histórico dessas crianças que me acrescentam energia, que alimentam minha menina interior. Aliás, meu bom humor, creio, tem a ver com a abertura constante que dou para essa infante antiga e magricela que brinca em mim, pulando “corda”, jogando “amarelinha”, jogando “pique-esconde”, comendo massa crua de bolo com dedos e boca suja, nas cozinhas da mãe, das tias, da avó... que delícia era raspar a latinha de leite condensado antes de ser jogada no lixo. Era um prazer para o qual elas me chamavam, acho que gostavam de testemunhar minha felicidade naquele momento solene...

    Fui premiada com o meu próprio filho, de sangue e emoção, que segue sendo um menino “trintão”, maduro, porém capaz de me fazer rir muito ainda. Durante sua infância fui aprendendo a lidar com o futuro cientista, convivi sempre com um menino curioso, perguntador, irreverente, voz rouquenha, de riso fácil, que numa noite de ano novo, vendo tantos fogos no céu, perguntou por que não se pregava aquelas luzes todas com band-aid?

    Por esses dias, fui lembrando os “filhos” e “filhas” que incorporei. Nas aulas da faculdade, alguns viraram de verdade quase, como a Liliam que por um tempo morou na minha casa. A afilhada e prima, Magdinha, os enteados, filhos do ex-marido, que povoaram de sonhos e baladas, a adolescência deles e “minha” , dos anos 80, e depois seguiram trazendo pra mim, os netos do pai, que por uns instantes, foram meus “netos” também.

    Seguindo, a vida me deu e me dá chances de conferir a vocação de ser eterna criança quando estou com eles. Por exemplo, as filhas da minha amiga Elza, Camila e Carina, agora ambas mães de Matheus e Cauã. Convivi com elas bem crianças, iam pra minha casa de Petrópolis, viajávamos para Cabo Frio, dançavam e cantavam em dueto, a vassoura era o microfone. Uma vez, uma delas me telefonou bem cedo, no dia do seu aniversário: - tia, sei que você quer me dar um presente logo mais na festa, né? Então, não diz pra minha mãe que eu te pedi, mas me traz aquele disco da Xuxa, com a música “Boas notícias”, tá? Vou fazer de conta que você adivinhou o que eu queria!

    Assim foi feito, e por estes dias, eis-me com os filhos delas, meninos de quase 3 anos, contando histórias no carro da avó durante pequeno trajeto do shopping onde almoçamos até a minha casa. Riram muito. Imitei coelhinho, sapo, abelhinha, zumbi e fiz gestos. Eles se divertiram e ao chegar na minha porta, os olhinhos tristes, o silêncio, a pergunta susssurrada do porquê eu tinha que ir dormir, nossa, fiquei "passada".

    Na férias do recente verão, o filho de um amigo, que veio passar um tempo com o pai, apareceu na minha janela, esticou o beiço inferior abrindo-o, disse: olha aqui tia!...confesso que não vi nada, mas ele insistiu...rs..é que eu mordi...mas foi sem querer! Assunto sério, pensei, o Yan queria me dizer que ali estava uma leve e importante marquinha da sua infância, um momento partilhado comigo, naturalmente por simpatia e solidariedade. - Não foi nada, disse eu, já passou...e ele abriu aquele sorriso compensador...perguntando-me logo pelos meus gatinhos que desejava visitar.

    Na próxima semana, viajo a Salvador, vou ao batizado, dia 6 de junho, da Ana Beatriz, nascida em outubro, baianinha, filha da Luciana e do Saulo, neta da minha prima Carmen. Precisa dizer que vou pegá-la como netinha emprestada? Já peguei! Não resisto a uma criança e muito menos à possibilidade de vê-la sorrir, aprender a andar e falar, dividir com ela instantes de puro encantamento pela vida que se renova e por um futuro que pode e deve ser de esperança renovada, dentro de cada um de nós, exatamente naquele ponto onde sabemos que há um menino falante ou uma menina sapeca a tornar mágica a passagem pelo mundo...

    Cida Torneros

    Capris ces't fini


    Orquestra milongueira adelante


    Que mundo maravilhoso!


    Eu de você


    Divina comédia humana


    terça-feira, 2 de junho de 2020

    Bob Fernandes.


    La candela


    Ouvindo meu velho vinil do Belchior

    Enquanto vivo meus dias solitários de quarentena nesse tempo surreal,  busco o LP relíquia que tenho. Alucinação de Belquior. Anos 70. Uma jóia.  Aproveito pra pintar os cabelos de azul prata. São 45 minutos de espera.  Vamos ver como fica. Nos últimos meses sem salão fui deixando crescer os brancos. Gostei as é preciso igualar. Tá meio a meio. É uma tentativa de ser avó de cabeça de Lua cor de prata. 
    O cearense  canta e encanta. Um gênio com quem encontrei uma noite na Lapa carioca. Ele tinha um cachecol xadrez. Tive chance de dizer que achava sua música "como nossos pais" um hino.

    Agora,  tantos anos depois,  neste 2020 de retrocessos preconceituosos, como sou grata de ter comigo adentrando meus ouvidos, frases tão atuais. " o vento forte levou os amigos e nossa esperança de jovens não aconteceu".

    O cara era o maior barato na minha geração.  Um rapaz latino americano. Apenas. Um compacompanheiro hoje de isolamento.

    Ele me emociona. " se vc vier me perguntar no tempo em que vc sonhava. Amigo, eu me desesperava em 1973".

    Sim todos nós já tivemos 25 anos um dia. Quisemos que o canto torto dele cortasse a carne de vcs. 

    Porque ele profetizou. Nossa carne tem sido despedaçada pela injustiça e desigualdade.  Pela peste e pela truculência policial. Pelo descaramento dos governantes ou por suas mentiras e promessas não cumpridas repetidas.

    Vou lavar a cabeça.  Só me resta tentar sair da alucinação.  Só! 
    Cida Torneros 


    sexta-feira, 29 de maio de 2020

    Morre de covid 19 o cantor indígena da etnia funi o em Pernambuco

    A tribo vive no sertão próxima ao município Águas Belas. Tem uma característica que é o uso da língua original. Em seu ritual secreto de Ouricuri só se usa a própria língua. 

    A tribo está de luto com  a perda de um dos seus maiores cantores. 

    Cida Torneros 

    Impressões: Contardo Calligaris


    O poder do Amor


    Em Valencia, aos 63, em 2012.


    quarta-feira, 9 de abril de 2014

    Em Valência, aos 63!


    Nesta foto, de setembro de 2012, eu estou com 63 anos, e olho Valência,  a cidade milenar espanhola, do alto da torre da igreja de S. Miguelit.
    Foi uma visita inesquecível.  Cidade histórica e moderna so mesmo tempo. Estava com o casal de amigos, Denise e Terry,  que vivem em Alicante, S Miguel de Salinas, e neste dia encontrei meu amigo valenciano Vicent Segarra. Almoçamos uma paella, passeamos muito, desfrutamos do museu romano, impregnei-me dos ares valencianos para sempre. 
    Agradeci à Senhora dos Desamparados, foi um belo presente que a vida me deu.
    Cida Torneros


    Estou 

    Crazy


    Clube do samba. 1979


    Canto das três raças


    Viva os povos que formam o gigante povo brasileiro. Somos tantos de tantas origens. Nós ajudamos uns aos outros como podemos.  Precisamos compaixão,  empatia e respeito. Sobretudo educação,  saúde e saneamento básico.  

    Nossa mais possante arma é o livro. Alguém duvida? Salve nossos médicos e professores! Os verdadeiros patriotas!

    Cida Torneros