sábado, 2 de maio de 2020

Júlio Anguita habla sobre España


O século 21 só começa depois da pandemia


Me esqueci de viver


Ciro Gomes


Haverá esperança? Na Terra ?

Escrevi este artigo em 2012. Era o encontro chamado Rio mais 20. Eu tinha participado da Rio 92. Agora, 20 anos depois tinha chegado a hora de rever os feitos e os não feitos em prol da vida no Planeta. Pode parecer ingenuidade mas estamos no 2020 apenas 8 anos depois  enfrentamos um momento dificílimo na Terra. Há muita desigualdade e um vírus agressivo e desconhecido a desafiar tantas teorias. Os sem futuro estão a clamar uma pontinha de esperança.  Haverá? 

Cida Torneros
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ARTIGO
Rio+ 20: o encontro dos contra-pontos
Maria Aparecida Torneros
As instalações da grande exposição intitulada Humanidade 2012, magestosamente, invadem a pedra do Forte de Copacabana, soerguendo andares e andaimes com vista para um mar digno e azul, num Rio de Janeiro que recebe milhares de pessoas do mundo inteiro dispostas a discutir o futuro do Planeta. Um encontro magnânimo, tanto em sonhos e esperanças quanto em propostas e frustrações, em momento em que os ditos países ricos estão deveras preocupados em sobrevivência econômica e aumento de empregos, deixando a agenda ambiental em segundo e terceiro planos, legando o cerne da discussão energética, da economia verde à implementação das energias renováveis para as falas dos países em desenvolvimento, aqueles onde a energia ainda é , em sua maioria, advinda de fósseis, e, em percentagem substancial nem chega à vida e ao dia-a-dia de uma expressiva parcela das populações de África e Ásia, por exemplo.
O título é pomposo : Cúpula dos Povos, uma vez que de povos o mundo está mesmo repleto, com suas diferenças, suas histórias, anseios, medos, marcas de exploração, de guerras, de colonização e de progressos em nome de um desenvolvimento cujo modelo se esgotou mas não morreu ainda. Haja vista os contra-pontos que a Rio mais 20 enseja. Um sem número de falas ao vento, de expectativas ao léo, ou seria de água mole que finalmente, um dia, há de furar a pedra dura?
Difícil avaliar de um fôlego só tudo que acontece na cidade maravilhosa, nestes dias de Humanidade 2012, o nefasto poder dos poderosos, direcionando o burburinho aguerrido dos “sem poder” que buscam mostrar sua consciência ambiental acirrada, suas conquistas em termos de novas posturas quanto ao mundo dito industrializado e moderno, enquanto a mãe natureza, a terra dadivosa, o planeta fatigado ou o mundo em que vivemos, se dá conta de que precisa correr atrás do prejuízo em mudar o foco dos padrões desenvolvimentistas…
História de novas gerações antenadas, coisa de gente respeitosa, espaço de seres humanos honrados, repletos de bons propósitos e crenças de um mundo melhor a se legado às novas gerações.
Rendo-me aos sonhos e seus contra-pontos flagrantes nesta Rio mais 20, lugar de encontro onde todos tentam chegar a um denominador nada comum… os interesses vários se diluem e se perdem entre poderosos que representam capital internacional, governos industrialmente sustentados, modelos baseados em lucros a quaiquer preços, tecnologias que ao se tornarem obsoletas são transferidas mediante vendas e acordos aos que antes não tinham nada, e estes, humildemente, as recebem como solução temporária para seus problemas emergenciais…foi sempre assim, diz a história, mas pode mudar, gritam os novos arautos da humana idade do futuro.
Eis que algo como água da chuva bate em pedra muito dura e abre um veio, um caminho lento, uma canaleta de esperança… de contra-ponto em contra-ponto, alguém vislumbra um mundo novo possível, apesar dos contratempos, leio e releio textos sobre o evento, visito lugares, acompanho debates… destaco um trecho:
“Há grande expectativa quanto às decisões e conclusões que vão sair da tão falada Conferência das Nações Unidas, mas acima de tudo o que se espera é que haja flexibilidade para que as iniciativas possam ser incrementadas em todo o mundo, tanto em países desenvolvidos quanto em nações em desenvolvimento, despertando a consciência em cada pessoa. Outra das grandes questões e essa, sim, essencial é a de que a economia participe das mudanças e se mostre cooperante. Sem sintonia entre política e economia em questões tão urgentes e sensíveis quanto preservação ambiental e desenvolvimento sustentável dificilmente haverá espaço para um novo rumo.
Por enquanto, o espaço para o debate, discussão e reflexão está, sem sombra de dúvida aberto, desde as mais altas patentes políticas e governamentais, passando pela mídia até ao mundo virtual das redes sociais. O diálogo está lançado, resta saber que caminho as próximas duas semanas irá abrir. ”
A chave, o x da questão : política e economia, é isso mesmo…enquanto ambas se calcarem no egoísmo ou egocentrismo dos poderosos, tudo mudará mesmo muito lentamente, a despeito de contra-pontos pertinentes ao grande encontro no Rio de Janeiro.
Maria Aparecida Torneros
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Deixa estar


sexta-feira, 1 de maio de 2020

Solo le pido a Dios


O abril descolorido de 2020


Ontem, o abril que realmente não se abriu, foi-se embora.  Já foi tarde, pensei. Muitas más notícias, milhares de perdas de vidas para o vírus da Covid 19. Uma tragédia. 

Eu adoro essa canção do Vinicius e Toquinho que homenageia as cores de abril. Por aqui tivemos dias lindos de sol com céu azul fantástico.  Porém nos foram oferecidas imagens tristes da praga no mundo inteiro.

Como o destino tem suas faces curiosas, durante meu banho de sol no Jardim, um casal de bem-te-vis veio cantar no muro me dizendo pra renovar esperanças. 

Olhei atentamente seus peitos amarelos e o bicos afiados.  Gritaram seu canto em festa de vida.

Mantive minha serenidade apesar da tristeza que nos ronda.

O abril de 2021 será outro, bem melhor, com certeza .
Cida Torneros 

Você já amou realmente uma mulher?


Yesterday when I was young


Quando a gente ama


Tom Jones


La vie en Rose. Quarentena tomando sol








Mandetta na TV Aparecida


terça-feira, 28 de abril de 2020

Mães e avós da Praça de Maio


Con la frente marchita


Mano a mano, meu casaco de pele de Coelho. Perdoname.



Quando nas décadas de 20 e 30 a terra dos "hermanos" ficou famosa pelos tangos melodramáticos, acho que o meu espírito começava a escolher onde encarnar na América do Sul.

Conversa vai, conversa vem , os laços de amor, sangue, suor e lágrimas dos meus antepassados, passando pelas agruras das duas grandes guerras,  me trouxeram ao mundo, numa capital ensolarada de um país imenso Continental chamado Brasil .

Porém,  as proximidades físicas e culturais em função da língua herdada da avó espanhola imigrante sempre me identificaram com a  querida Argentina.

Meus padrinhos, no início dos anos 60, se aventuraram e foram para Buenos Aires,  de carro, passarem férias.  Deixaram os 4 filhos com meus pais. Atravessaram o Sul do país parando em várias cidades. Na volta, nos contaram muitas histórias.

Trouxeram pra mim, então com 15 anos, um belíssimo casaco de peles.  Eu o tenho ainda. Um luxo  que usei mais vezes em Campos do Jordão na década de 90.

Coisa de estrela de cinema dos anos 40 ou 50. Como é feito de pele de Coelho, descobri depois, claro que tenho medo da reação justa dos conscientes defensores dos animais.

Entretanto, confesso, ele representa um glamour extemporâneo.  Sinto-me um pouco Evita quando o tiro dos guardados e me olho no espelho.

Um componente de geração humana  que acreditou num futuro promissor para a América pobre do Sul e Central, a América Latina de línguas hispânica e portuguesa, um mixto de culturas indígenas e européias onde exploradores e explorados buscaram desenvolver modos de vida.

Um artista símbolo é ele mesmo: Carlos Gardel. Interpretou como ninguém o malandro  conquistador dos bairros portuários de Buenos Aires. As letras das canções de tantos talentosos compositores são lições de vida.

Mano a Mano traduz a dor de cotovelo mais elegante do homem que apesar de abandonado, promete ser amigo se um dia ela envelhecer e precisar dele.

Uma mão lava a outra, verdade mesmo, já que a vida costuma dar muitas voltas em passos de tango.

Fui conhecer Buenos Aires, já adulta no final dos anos 90. Voltei duas vezes nos anos 2000. A cada  visita, um descoberta moderna ou nostálgica. Um certo sentimento de me sentir meio portenha por osmose.

Resolvi que vou voltar neste 2020. Tinha marcado para ir no 15 de maio mas a pandemia adiou. Tentarei viajar em Outubro, quem sabe, ou mesmo em 2021.

Já terei completado os 71. Mas Buenos Aires é como o vinho.  Fica melhor quando o tempo passa.

Sinto que ainda vou descobrir por lá muito mais das suas histórias misteriosas. Um sentimento de avós da Praça de Maio.  Aquela paixão pela verdade escondida por injustiças e fascismos enraizados nas veias abertas da América Latina para onde fugiram os carrascos nazistas que escaparam da segunda grande guerra.

Fui aprendendo a ouvir com atenção os temas dos tangos antigos e tomei contato com o fenômeno do ressurgimento do estilo na versão das últimas décadas.

Se eu viajasse num meio de ano, arriscaria levar o velho casaco. Para homenagear um mundo em crise que insiste em preservar o garbo e o charme de umempo especial desta América do Sul que sobrevive  no compasso de tangos ou milongas ou sambas ou forrós entre literaturas que falam de pragas como cólera, traições,  política rasteira, ou covid 19, esta nova peste a nos fazer refletir sobre a dramaticidade imprevisível da vida em si.


Irei sim. Preciso voltar ali para pedir perdão aos coelhos que morreram para me legarem essa jóia capaz de aquecer 60 anos da minha vida com falso luxo e sincero carinho.

Cida Torneros

Trenzinho caipira, de Heitor Villa Lobos


domingo, 26 de abril de 2020

Tudo diferente

Sim. Tudo diferente. Muita pergunta sem resposta. Muita dor na humanidade. Muita solidariedade em contrapartida.  Tudo estranho.  Bem estranho. Não poder abraçar e beijar por quanto tempo? 
Tudo igual à prisão domiciliar.  Talvez. Quem sabe se esse é o preço da liberdade sonhada de ser e de pensar?
Cida Torneros 

 

Minha quarentena






















A quarentena é imprevisível. Neste domingo 26 de abril, aqui na casa onde meus pais viveram, estou com os bichos e as plantas. N TV passa o filme falado em russo sobre Catarina, a grande.

Resolvo pegar o celular e saio fotografando. É uma velha casinha de Vila num bairro tranquilo.

Tudo respira paz. O sol tem sido generoso.  As notícias,  nem tanto.  A coluna, essa costuma me castigar mas a bengala sempre me dá uma ajudinha.

No quarto cor de rosa tenho uma vitrola antiga que ainda toca discos de vinil.

O quintal tem roupas no varal. A cozinha está meio bagunçada depois do meu almoço solitário.

Mas o cachorro Sucata toma conta de tudo. Os gatos se espalham. Dormem. As uvinhas brotam. Meu quarto guarda segredos de alcova .

O banheiro é do tempo do onça mas cumpre bem seu papel. Tudo simples mas no todo sinto aconchego.  As lembranças estão vivas.

Papai e mamãe andam por aqui de vez em quando nos meus sonhos e memórias.  Tenho um filho na capital , uma nora carinhosa, uma neta a caminho.

A duas quadras estão o irmão e a cunhada com os sobrinhos e o sobrinho neto.

Todos nos vemos ou falamos via internet.

Meu passeio é reconfortante. Faz-me tirar o bumbum do sofá.  Observo o florescer da pimenteira vermelhinha.

A goiabeira está crescida. As orquídeas farão flores em breve.

O silêncio da tarde se interrompe. O filme acabou. Vou postar as fotos. É uma forma sutil de  compartilhar esta quarentena forçada pero tranquila.

Evito ver mais noticiários.  Muita tristeza neles.  Fujo por aqui.  Nesta casa que me abriga aos 70 anos.

É egoísmo,  Eu sei. Mas me permito apreciar florezinhas e gatinhos. É meu direito.

Viva o meu domingo desse abril de 2020. Estou viva. Alguém ainda me oferece está chance. Agradeço.

Cida Torneros


















9

Solo lê pido a Dios


Recado


Tente esquecer ( Icaraí)