sábado, 23 de maio de 2020

Joyce Moreno


Sermão do padre António Vieira


Lua branca





Esse tal de cacaso



( vi um documentário sobre Cacaso na TV curta, na semana passada, me identifiquei com essa criatura. Foi um poeta filho de fazendeiro mineiro rico que veio para o Rio de Janeiro e marcou nossa geração  )


Esse tal de cacaso

39
Armando Freitas Filho relembra Cacaso. Texto e desenho inéditos do poeta mineiro

Nunca fui amigo de Cacaso. Conhecia-o de debates sobre poesia, convidados que éramos por Heloisa Buarque de Hollanda (nossa Helô do coração) para bater boca com os alunos na antiga Faculdade de Letras, da Avenida Chile, no Rio, e, invariavelmente, as posições eram opostas, ou, pelo menos, diferentes. Talvez por isto mesmo, ele foi, desde o começo dos anos de 1970 até a sua morte, com quem mais discuti, em público, sobre os caminhos e descaminhos da poesia brasileira. Me lembro que em uma das últimas vezes, na PUC, a convite de Celia Pedrosa, ele me disse: “Armando, precisamos combinar outros pegas, pois estes já estão ficando manjados.” Apesar de todas as discordâncias, jamais fomos ásperos um com o outro. Creio que a mineirice dele e minha carioquice foram antídotos poderosos contra a zanga sem perdão. Depois, como brigar, se freqüentávamos a mesma praia, tínhamos um monte de amigos (e amigas também) comuns?
Além disso, o que pode ter colaborado para que as desavenças não azedassem foi que, no fundo, nossa militância era, por natureza, bem tolerante com o adversário, em nenhum momento percebido como inimigo, já que nossas pendências poéticas não se caracterizavam, digamos, como pregações fundamentalistas, mas sim, como uma simples, se bem que importante, questão de opinião. Mais: nem em mim nem nele, embora sua ambição teórica fosse maior que a minha, existia a pretensão de que só valia o que estava escrito pela nossa mão. Em suma: discutir assim era bom e, falo por mim, abria os olhos para duvidar das nossas certezas, o que, sem exagero, é saudável.
A morte precoce dele e de alguns companheiros de geração (Ana Cristina, Tite de Lemos, Torquato Neto, Guilherme Mandaro, Waly Salomão, Sebastião Uchoa Leite) é tristeza constante e irreparável. A presença de Cacaso – com a barba por fazer, antecipando o look atual, a bolsa de couro a tiracolo, as sandálias, usadas com meias grossas – é inesquecível. De fato, nunca fui seu amigo: imagina se fosse.
Armando Freitas Filhoé poeta, crítico e ensaísta. Autor de Duplo Cego (Nova Fronteira, 1997) e Fio Terra
(Nova Fronteira, 2000), entre outras obras.
O poeta Antonio Carlos Ferreira de Brito nasceu na cidade de Uberaba (MG), em 1944, e morreu aos 43 anos no Rio de Janeiro. Cacaso, como é chamado, participou de movimentos estudantis contra o regime militar e é considerado o tutor da “poesia marginal” brasileira, tendência que contestava os poetas concretos e buscava apenas falar de poesia e fazer poemas.
As principais publicações de Cacaso foram A Palavra Cerzida (1967), Grupo escolar (1974), Beijo na boca (1975), Segunda classe (1975), Na corda bamba (1978) e Mar de mineiro (1982).
O texto inédito publicado nesse dossiê é de 1981 e foi cedido pelo filho de Cacaso, Pedro Landim. Faz parte dos Cadernos/Diários do poeta e foi escrito durante as visitas que Cacaso fez ao pai em sua fazenda em Mato Grosso do Sul.
Prosa Poética Inédito de Cacaso
Tenho uma amiga que lê Nietzsche como se bebesse chope. Ambos, penso eu, saem na urina. O Carlos José bebe um tal vinho que tem por aqui, como se lesse a Sagrada Escritura. São sutilezas da ilusão e do pragmatismo. O dia clareou menos frio, o sol está bem quente, estou melhor da garganta. E aqui no pomar os passarinhos dão um concerto, se não me engano, em si bemol. Ao mesmo tempo maior e menor. Uma peça que não foi ensaiada e jamais será repetida. Portanto, presto muita atenção. Há momentos de profundo silêncio, em que o esquadrão avançado cede lugar a um eco remotíssimo, algum passarinho que cantou ontem, e só agora chega por aqui uma lembrança do canto, vaga, inacessível. Um canto de passarinho como o brilho da estrela cadente. Uma reminiscência. Súbito a estridência próxima toma vulto; os periquitos abrem uma discussão e tomam o partido da controvérsia; um bando de pássaros pretos comemora algo lá deles a que não tive acesso; e sabiás, e bem-te-vis, e um galo rouco desafinado, tucanos, maritacas, anúns, tizius. Pedro passou por aqui agora pra mostrar o ovo que achou. Ele descobriu um ninho de galinha onde diariamente acha um ovo. Faz exploração pelo pomar, pelos arredores. Joga laranja nos patos. Há quem prefira comer o pato com laranja. Mas o que seria do amarelo se todos gostassem do rosa-choque? Quando vejo um passarinho e não sei como se chama mesmo ouvindo o seu canto, sinto que algo me frustra. Sinto uma necessidade, não sei se natural ou antinatural, de ligar o nome à pessoa. Passou um por aqui agora, num vôo rasante, de cima pra baixo, enviesado e já preparando o pouso, de tamanho mais pra pequeno, todo azul, mas de muitos azuis, sendo as asas mais escuras que o peito, um primor de graça e senso de medidas. Mas como chamá-lo? Como é o nome dele? Há pessoas que conhecem os nomes dos passarinhos, sem nunca os terem visto. Outros convivem com os passarinhos sem nunca se indagar se foram ou não batizados. Eu estou no caso intermédio, e certamente o mais triste: sei o nome de muito passarinho que jamais vi, vi muito passarinho que não sei o nome. Novamente a teoria binária emergindo por trás das coisas. Sei, por exemplo, que existe um passarinho que atende pelo vulgo de João Pires. Ora, eu teria muito prazer em conhecê-lo pessoalmente.
– “João Pires, às suas ordens”
–“Antônio Carlos

Tem boi na linha. Chanchada brasileira. Tempos atuais


Daremos nomes a esses bois? O gado segue, a boiada passa, Bolsonaro esbraveja, o Brasil se f..., o vaqueiro se perde, para onde vai a manada armada?


Tem Boi na Linha! - 1957 | Filmow
…”Tem Boi na Linha”: exemplar comédia
de costumes do cinema nos anos 50/60.
Artigo primoroso do jornalista baiano Vitor Hugo Soares, publicado no site Bahia em pauta", cita o filme dos anos 50 " Tem boi na linha" para comparar a comédia política por que passa novamente o Brasil da velha e manjada "velha política ".
O filme, de 1957, dirigido por Aloísio T. de Carvalho tem enredo simples e bem ao gosto popular, como era comum nas chanchadas. Na armação da jogada, para se casar com a filha de um milionário, um típico malandro tido como muito esperto, aceita a proposta do pai da noiva de fazer prosperar uma falida agência de publicidade, com ajuda de um amigo. Mas outros bandidos roubam o primeiro cheque recebido pela promoção de um hotel a ser inaugurado, causando enorme confusão. A graça maior fica por conta do elenco, encabeçado pelo baiano Zé Trindade  e a impagável Zezé Macedo, além de Ronaldo Lupo, Neide Landi e outros. Vale a pena rever (está na WEB e na cinemateca que Regina Duarte vai cuidar, incluído na relação dos 50 melhores filmes nacionais de todos os tempos) nestes dias amargos de isolamento do corona vírus, da política brasileira e do jogo pesado do poder em re-arrumação.
Aqui e agora cabe aquele avi so final dos letreiros das comédias de costumes do cinema brasileiro: qualqqualquer semelhança com personagens da vida real é mera coincidência. 

Comentários

Maria Aparecida Torneros on 23 Maio, 2020 at 6:45 #
Tudo está mesmo se transformando neste planeta onde perdemos o fio da meada. Como entender e aceitar o momento por que passa o Brasil? Por exemplo? Um caos de desgoverno e extremismos. Desrespeito e corrupção. Sim, muita. O troca troca continua. O Centrão está comprado para impedir o impeachment do Bolsonaro. Este é um psicótico manipulador de um gado que ele e seu grupo condizem com esperteza. Quer a população armada. Quer a guerra a despeito da fome e da pandemia. Quer proteger filhos criminosos. Nem se dá conta do quanto suas eleições na base das fake News e fanatismo de segmentos religiosos, com ajuda ilícita do ex juiz Moro, na verdade, trouxeram para o comando do Executivo, a falácia assassina das milícias tanto físicas quanto digitais. Tenho sorte com a chegada da minha neta Lua. Só ela pra me fazer agarrar uma pontinha de esperança no futuro. Com certeza, embaralhei toda a cabeça. Vou ver o filme mencionado no seu artigo. Em tempos de Ministro do Meio Ambiente sugerir mudar regras aproveitando que a mídia está ocupada com a pandemia, talvez seja melhor mesmo voltar aos bois dos anos 50. Talvez devêssemos dar-lhes nomes: insensato 01, incapaz 02, desecudador 03, dissimulado 04, cara de pau 05, militante 06 e assim por diante. Do 100 em diante, para nos poupar neurônios, chamaríamos todos de rebanho adestrado para desconstruir uma nação que já foi melhor ou mais promissora. A propósito, eu não odeio o termo “povos indígenas “. Eu amo essa gente vilipendiada através de séculos. Amo ainda mais os negros injustiçados por uma escravidão ambiciosa das elites fazendeiras, amo em maior grau os habitantes imprensados nas comunidades periféricas ou favelização que se espremem entre a violencia do tráfico, chantagem truculenta do mikicianato e a sobrevivência de valores de um bom senso latente de gente humilde que ainda sonha com esmolas e cestas básicas. Talvez o boi mais inteligente tenha o apelido de "decano". Definitivamente não é um vagabundo. Fez um despacho culto e legal. Falou em "sodalício ". Será que essa gente sabe o que é? 

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Vaya con Dios


Omara e Bethânia. Show completo


Love me tender


Caetano Veloso


Joaquim Sabina


Marcelo Gleiser . Live


Presidente português no supermercado


Deixa a vida me levar


Maria Felix. Maria Bonita. Imortalizada na música de Agustín Lara


MARÍA FÉLIX, O FASCÍNIO DA MULHER QUE DESAFIOU SUA FAMÍLIA E SE TORNOU A MAIOR ESTRELA DO CINEMA MEXICANO

4026
Acusações de incesto, separações e mortes pareciam cruzar seu destino. Mas Mária Félix superaria tudo e se tornaria uma das maiores atrizes que o México e o mundo já conheceram. 
María de los Angeles Félix Güereña nasceu em Álamos, México, em 4 de maio de 1914. Descendente de espanhóis e índios yaquis, teve quinze irmãos, dos quais três morreram ainda na infância. Em sua infância era muito apegada ao seu irmão Pablo. Por causa disso suscitou dúvidas em seus parentes sobre a realidade de seu relacionamento: teriam eles cometido incesto?
Não há um consenso sobre o que de fato ocorreu, mas há uma versão sobre um passeio que os dois fizeram quando María tinha 12 anos e ele 17. Ela teria menstruado pela primeira vez, e ao retornar para casa seus pais pensaram que ela e o irmão tinham cometido incesto. Teria sido daí que decidiram separá-los de vez. Pablo foi mandado para um colégio militar e Maria passou a ser tratada com rispidez pelos pais que a julgavam uma péssima influência para todos, ou uma “endiabrada”. Pablo se suicidou com um tiro na cabeça aos 19 anos. Mais tarde Maria reacenderia a dúvida ao declarar:
Estaba tan guapo que me temblaron las piernas. Pensé en buscarme un muchacho como él, que tuviera su piel y sus ojos, pero que no fuera mi hermano. Era una tontería, porque el perfume del incesto no lo tiene otro amor”Fonte
A jovem preferia a companhia dos garotos desde cedo, deixando de lado brinquedos e brincadeiras que eram consideradas de “menina”. Já adolescente ganhou o concurso de Rainha da Beleza na Universidade de Guadalajara.
A vontade de sair do ambiente familiar fez com que ela se casasse aos 19 anos com Enrique Álvarez Alatorre, um vendedor de maquiagem. Do relacionamento nasceu seu único filho, Enrique. Ela se separou do marido ao descobrir que ele a traía e tinha gonorreia. O divórcio, porém, só sairia em 1938. Mas não seria a última vez que ela ouviria o nome dele.
Maria Félix com seu único filho, Enrique
Após a separação, a bela retornou à casa de seus pais, mas seria mal recebida, afinal, era mulher “separada”. A situação se tornou insuportável e ela decidiu partir para a Cidade do México onde passou a trabalhar como recepcionista para sustentar o filho. Seus sofrimentos não pararam por aí. Quando Enrique estava com três anos, seu ex-marido o levou para Guadalajara e se recusou a devolvê-lo para a mãe. María contou com a ajuda de seu segundo marido, o compositor Agustín Lara, para recuperar seu filho.
María Félix, Agustín Lara e Joaquín Pardavé
O que adianta ser casada com um compositor e ele não fazer uma só música para você, não é mesmo? María serviu de inspiração para que Agustín Lara escrevesse a música “Maria Bonita” durante a lua de mel deles em 1945. Escute a música:
Se a vida antes da fama é lendária, também a maneira como a atriz foi descoberta também o é. O cineasta Fernando Palacios a teria visto caminhando em uma rua. Fascinado com sua presença, a chamou e insistiu para que se tornasse uma atriz. Para isso, ensinou-lhe como se portar em público e a levou para várias recepções para que ela fosse vista. Claro que a bela morena chamava a atenção de todos.
Em 1942 finalmente ela estreou no cinema em El Peñón de las Ánimas (1942), dirigido por Miguel Zacarías. Seu parceiro de telas era o mexicano Jorge Negrete. Apesar de um começo tumultuado (ele queria que sua namorada interpretasse o papel que María recebeu), os dois se tornariam muito próximos.
Maria Felix em La Devoradora
Tinha início a uma das mais espetaculares carreiras de uma atriz mexicana. Uma série de papéis em que ela interpretava mulheres fortes cimentavam a imagem de uma artista temperamental. Ela se tornou, enfim, La Doña após estrelar Doña Bárbara (1943). Nascia a lenda:
Em Doña Bárbara (1943)
Alguns de seus filmes de maior sucesso incluem Enamorada (1946), Río Escondido (1948) e Dona Diabla (1950). Foram ao todo 47 trabalhos em vários países de língua espanhola como México, Espanha e Venezuela. Porém, embora tenha aprendido francês para atuar em French Cancan, de Jean Renoir, ela jamais demonstraria interesse em aprender inglês e partir para uma carreira nos Estados Unidos. Convites não faltaram ao longo de toda a sua vida.
Dez anos depois de sua estreia nas telas, ela voltaria a rever Jorge Negrete. Dessa vez iniciaram um rápido romance e pouco tempo depois estavam casados. O relacionamento, porém, terminaria de maneira trágica, pois ele contraíra hepatite pouco tempo antes de se casarem e faleceria em 5 de dezembro do mesmo ano de hepatite. Negrete tinha apenas 42 anos.
María com Jorge Negrete
Após passar uma temporada fazendo filmes na Europa, a atriz estava de volta ao seu México. Esse período foi marcado por películas que se inspiravam em histórias da revolução mexicana. Porém, no final da década, La Doña diminuía seu ritmo de trabalho.
María despertou amor em vários homens, como podemos imaginar. Alguns foram retribuídos, outros, como o pintor  Diego Rivera, não. O pintor, casado com Frida Kahlo, lhe enviou cartas durante mais de dez anos até finalmente desistir da investida. O quarto marido da musa foi o banqueiro Alexander Berger, com quem ela permaneceria casada entre 1956 e 1974, quando ele faleceu de câncer de pulmão. A morte da mãe, seguida do marido a levaria a uma grande depressão. Quando faleceu, María estava vivendo com  o pintor Antoine Tzapoff.
Após atuar em La Constitución (1970), ela ainda faria uma pequena participação em La generala (1971), mas se aposentaria pouco tempo depois. Passou então seus dias cuidando de seus cavalos, sua grande paixão. E ela era capaz de passar horas ao lado de Maria Bonita, Mayab, Zapata e tantos outros cavalos batizados com os nomes inspirados nos personagens de seus filmes.
A atriz faleceu no mesmo dia em que completou 88 anos, em 8 de abril de 2002 enquanto dormia. Já consagrada, recebera vários prêmios por suas atuações e também se tornara um ícone de estilo, amada em toda a América. Seu estilo ditou moda e influenciou uma geração de mulheres fortes, apaixonadas e desafiadoras.

Caderno de poesias


Fascinação


Omara Portuondo e Maria Bethania



Ambas são simbólicas representantes da música de seus países. Tive a chance de ver a Betha desde jovem,  quando ela veio para o Rio fazer o Opinião florescendo o famoso Carcará, aquele que pega,  Mata e come.

Muitos anos depois , houve um domingo em que li que ela encerrava naquela noite sua temporada no Canecao, do show intitulado Maricotinha. Liguei para a extinta e saudosa casa de  espetáculos para saber se tinha lugar. Por incrível que pareça tinha um numa das platéias laterais.  Reservei e fui correndo de táxi.  Ao chegar, a cantora já estava no palco e eu podia redesfrutá-la como já o fizera por décadas em lugares diversos, até no auditório da faculdade em Niterói,  no diretório acadêmico da UFF , nos idos de 69/ 70 e no antigo teatro da Praia, na Copacabana dos velhos tempos.

Sou suspeita pra recontar minha posição de fã desta criatura baiana que virou carioca com direito a ser enredo da Mangueira.

Quanto à cubana Omara, só conheci através do filme Buena Vista  Social Club e foi também um caso de tietagem à primeira vista.

De repente e coincidentemente soube duma apresentação dela, com músicos cubanos, no mesmo Canecão , em 2006.

Nem pestanejei. Fui também sozinha ver e ouvir de perto aquela senhora setentona dona de uma expressividade revolucionária num canto latino americano que me representa.

Agora, embora não tenha conseguido vê- las juntas no palco, posso degustar sua dupla arte num vídeo.

Compartilho,  emocionada, me belisco pra ter certeza de que é verdade. Sim, elas se encontram e se enroscam na música cadenciada da nossa América que mistura português e espanhol, na graça histórica do acento afro descendente  que acrescentou especial swing ao nosso universo musical.

As duas me encantam. Elas me representam.  São parte do meu sentimento de respeito à nossa história comum. Geração de fêmeas sensíveis e guerreiras. São uma benção cultural.  Gracias a Dios!
Cida Torneros 

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Cucorucucu Paloma


Duas vozes incríveis. Júlio Iglesias e Nana Mouskoury interpretam Cocorucocu Paloma. A canção fala de dores de amor e lamentos no tempo. 

Belíssima.  Caetano Veloso apresentou-se cantando-a num dos filmes de Pedro Almodóvar. 

Há momentos na vida de todos nós em que saudades podem ser sentidas profundamente. 

Como uma pombinha deva cruzar os ares para pousar nalguma janela levando mensagem simbólica. 

O canto que encanta. A hora da Boa recordação ou a Ventura do que foi sonhado e não vivido.

Cida Torneros 

Quando saí de Havana


Making off do show de Santo Amaro a Xerem


Posse do presidente Juscelino em 1956


As rosas não falam


segunda-feira, 18 de maio de 2020

Especial JK


100 anos do Santo São João Paulo II



Natureza. Poema




Natureza



Meu caminho é teu, não sabes, não crês?


Meu carinho é ainda teu, não vês?


Meu sonho é para ti, não percebes?


Meu poema é por ti, não o renegues...






A natureza me fez mulher como as éguas do prado...


E me deu cheiros e sabores estranhos, um fardo,


que carrego com hormônios de semear a terra,


que desdobro em gozos de conceber os frutos,


que acoberto com cada braço que encerra


um recomeço de dia, um alvorecer...






Meu momento de luz é teu, meu sol, minha luz...


Meu tormento é por ti, minha lua, que me induz...


Meu talento é pra ti, doce estrela da manhã,


quando te traio com os pássaros e a eles dou maçã...






A natureza te fez macho para meus deleites e desejos,


mas te deu asas de anjo em corpo de lobo, te deu vôos,


fez de ti um planador alado e risonho, te fez tão alto,


inalcançável até, em tantas vezes nas noites, te assalto,


te roubo a paz, te dou angústias em troca da distância..






Meu caminhar é costurado em atalhos que talho em ânsia


a adorar os campos, cobrir-me de folhas, molhar-me de chuva,


a dançar com pés na terra, agarrar-me às arvores da uva...






Minha estrada é pontilhada de brilhos quando piso a nuvem,


meu corpo é inundado de prazer quando sinto tua penugem,


meus dedos são pequenos e iluminados quando te tocam a alma






Natureza... tu me és o esplender dos deuses...


e se te tenho, nem preciso morrer porque vivo em ti


e transmuto matéria em essência, amor em eternidade calma...






Já não me perturba o fim... ele é apenas transformação


de gente em pó... de pó em gente...






Natureza... tu me invades a gruta da nascente lúdica..


e deixa brotar as águas translúcidas da verdadeira emoção..






Te chegas mais e de ti sinto o conforto pleno e doce,


pelo quanto foi justo ter amado tanto como se eu fosse


capaz de guardar o mundo, de me fazer oferenda e prenda...






Na cerimônia da floresta, só me resta, eu sei,


doar-me ao infinito sentido da natureza em festa...


E , quando as feiticeiras, em sábado feliz , se encontram,


suas vozes entoam o cântico perfeito, elas apontam,


mais caminhos, mais atalhos, mais estradas, mais trilhas,


por onde vamos, nos deixamos ir, por milhas e milhas...






Natureza,


não vês que sigo, não vês que flutuo, não vês que mudo?



Aparecida Torneros